A aposta da Weg nos caminhões e ônibus elétricos

A aposta da Weg nos caminhões e ônibus elétricos

A multinacional Weg, conhecida pelos motores industriais, está se concentrando nos veículos mais pesados, mas ainda assim quer estar em todas as etapas da eletrificação.

Vem conhecer mais desse processo tecnológico e inovador de uma das maiores empresas nacionais!

Fundada há 61 anos por um eletricista, um administrador e um mecânico, a multinacional brasileira Weg aposta nesses três fatores para entrar em um mercado promissor e de muita tecnologia: a mobilidade elétrica.

A empresa, que é uma das maiores fabricantes do mundo de motores elétricos para a indústria, está com grandes planos para investir em um negócio maior, mais difícil, com maior visibilidade – e, consequentemente, com mais concorrência –: o da eletrificação do transporte pesado.

A Weg desenvolveu e fabricou os motores do primeiro caminhão elétrico e 100% brasileiro, o e-Delivery, da Volkswagen. Os primeiros 350 veículos nessa modalidade mais tecnológica já são usados por empresas grandes como Ambev, Femsa e Heineken para a última milha das entregas em grandes centros urbanos. 

Um investimento de pelo menos R$ 660 milhões anunciado há um mês vai ser dedicado em maior parte para aumentar a produção de motores para esses veículos em especial. O foco inicial são ônibus e caminhões, pois toda a experiencia se aplicam melhor nesse segmento, porém o mapa desenhado pela empresa vai muito além dos sistemas de tração, deixando em aberto um leque de possibilidades e novidades.

A multinacional enxerga um futuro promissor em que caminhões e talvez até mesmo carros de passeio sejam equipados também com baterias WEG – carregadas em eletropostos também produzidos pela companhia. De acordo com o setor executivo, o objetivo é eletrificar, o que também é um objetivo do mundo todo, sendo uma oportunidade única.

Tesla (o inventor)

A Weg é uma das multinacionais mais bem-sucedidas de nosso país. A empresa emprega 37 mil funcionários em 13 países, faturou R$ 23,5 bilhões no ano de 2021 e tem um valor de mercado de R$ 160 bilhões – uma das dez maiores empresas da bolsa brasileira.

Recentemente, as ações da companhia fecharam em alta de quase 8% depois da divulgação dos resultados trimestrais, que apontaram uma receita de R$ 7,2 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período em 2021. 

Seus produtos ficam longe dos olhos da maioria, alcançando a atenção de empresas voltadas para as indústrias. Em suas 49 plantas, a empresa fabrica mais de 18 milhões de motores, que vão de petroleiras a produtoras de celulose.

Além desses equipamentos industriais, que respondem por quase metade da receita e estão em alta demanda especialmente na Europa, a companhia também produz componentes usados em geração, transmissão e distribuição de energia.

O conhecimento acumulado nas últimas décadas é um dos pilares da estratégia da Weg no negócio da mobilidade elétrica. A tecnologia básica mudou muito pouco em mais de cem anos, diz Valter Luiz Knihs, diretor de sistemas industriais e e-mobility da empresa.

“É o que o Tesla inventou, lá em 1890”, diz Knihs, se empolgando ao descrever uma das inovações que definem a vida moderna.

Como seria muito mais complicado passar dos grandes e pesados motores industriais para um pequeno e leve que sirva para um carro, o caminho lógico para a Weg é apostar nos ônibus e caminhões.

Outro fator importante é a demanda. Com a dominância do transporte rodoviário, o Brasil é um dos maiores mercados de caminhões do mundo e esse é um ponto em especial que faz com que a Weg queira se destacar no mercado.

O foco inicial é a etapa final da logística. Com as vantagens de custo e benefício – além de a eletricidade ser mais barata, veículos elétricos são mecanicamente mais simples e exigem menos manutenção que os carros comuns –, a virada deve ser rápida, aposta Knihs.

Ele acredita que o apelo ambiental também deve acelerar a transição e ser considerado. “As grandes cidades precisam limpar seu ar. O diesel é o combustível mais nocivo de todos, e a legislação está cada vez mais apertada no mundo inteiro. Depois do Brasil, estendemos a plataforma para os países vizinhos. Já vemos uma grande expansão de ônibus elétricos no Chile e na Colômbia.”

Weg inside?

O e-Delivery tem uma diferença importante em relação a outros caminhões e carros da Volkswagen: o motor foi desenhado e é produzido por terceiros. Mesmo antes de a Tesla mostrar que a tendência das fabricantes de elétricos é a verticalização, motores sempre foram um diferencial – e um orgulho – das montadoras.

Todas as gigantes da indústria automobilística estão desenvolvendo novos motores elétricos, inclusive a empresa Volkswagen. Haverá espaço para uma fabricante independente? Knihs acredita que sim, pois em sua visão a transição será gradual e não será barata.

Knihs acredita que todos esses tipos de incentivos para a geração de empregos, além de desafios duradouros na logística internacional, favoreçam quem é capaz de produzir perto de onde está o consumo.

Baterias

Além dos motores, a companhia começou a fabricar baterias no Brasil. A logística desse componente é especialmente complicada e cara por causa de volume, peso e segurança.

A Weg produz os chamados packs de baterias, um sistema integrado que vai fornecer a energia para o veículo. Ele é composto pelas células de íons de lítio (que armazenam a energia e são parecidas com as pilhas de uso doméstico) e sensores e softwares que controlam a tensão, carga e descarga e temperatura, entre outras variáveis.

Além do uso em veículos, Knihs enxerga um mercado de armazenamento de energia, com contêineres que servirão como backup de emergência, por exemplo. O primeiro desses sistemas foi implementado no Centro de Lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, para guardar a energia gerada por uma instalação de painéis solares.

Eletropostos

Mas as baterias que devem ser usadas inicialmente estarão em movimento, dentro de veículos, e precisarão de carregadores – um negócio em que a Weg também quer fazer parte, o que será útil em diversos outros tipos de lançamentos.

Batizada de Wemob, a linha de estações de recarga tem três modelos com diferentes potências. Quanto mais potente, mais rápida a recarga.

Knihs afirma que o negócio ainda é incipiente, mas potencialmente muito grande. Diferentemente dos postos de combustível, essas “tomadas especiais” estarão em toda parte. “Muita gente vai carregar o carro em casa, mas também teremos estações em condomínios ou estacionamentos.” A ideia é que a Weg venda o equipamento e eventualmente serviços associados, e terceiros operem os terminais.

Isso vale para os postos de combustível. “Alguns já criaram consciência e estão instalando essas estações, pois a margem de lucro é maior do que na gasolina”, diz Knihs.

Muita calma

Nenhuma companhia consegue estabelecer uma presença global sem inovação.

Mas, no novo mundo da mobilidade elétrica, em vez de competidores atuais como as centenárias Siemens e ABB, a concorrência virá de empresas jovens, ágeis e digitais – algumas que talvez nem tenham sido fundadas.

Knihs afirma que uma das palavras de ordem da companhia é foco: “Em alguns segmentos vamos chegar depois, e outros estamos lá na fronteira, em cima da onda. É o caso dos veículos pesados. Conheço muito bem os projetos em andamento na Europa e na América do Norte.”

“Somos muito bons na capacidade de produzir de forma vertical. Aprendemos o método de melhoria constante da Toyota antes de ela ser essa gigante”, diz Knihs. “Podemos não ser competitivos hoje em um determinado mercado, mas amanhã seremos. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.”

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